domingo, 1 de junho de 2008

O que Resta depois da Festa

Em quatro dias uma pequena cidade desperta para uma multidão de pessoas desconhecidas. Pessoas estranhas aos olhos da pequena e pacata cidade de Pedro II, quando da realização de seu festival de inverno. Muita música, cultura e passeios por suas terras desconhecidas: cachoeiras, montes com vista para o horizonte e museus que lembram um passado de gente com vida sofrida dos garimpos das suas minas de pedras preciosas. Dia 22 têm início as atrações do festival que durarão até o dia 25. Enquanto os “estrangeiros” se preparam para a primeira noite de festas a maioria da população local só têm olhos para a grande quantidade de carros que atravessam suas ruas. Eu, me preparando para a noite que vem, observo atentamente as pessoas que me acolherão durante esses dias de Festival e o que percebo, com certo espanto, é que o festival só existe para quem vem de fora, as pessoas aqui apresentam medo diante da invasão de suas vidas doces, pois a cidade vira um enxame.


As noites que vão do dia 22 ao dia 25 começam com as atrações locais, que se realizam na Praça Domingos Mourão (palco da Terra) a partir das 17h30, só às 20h as atrações nacionais e Internacionais tem vez na Praça Bonele (palco do Jazz). Entre as diversas personalidades musicais, estão grandes nomes da MPB, como Danilo Caymmi, Leila Pinheiro e nomes da música Internacional, como Kenny Brown (que, na minha opinião, foram os grandes Shows da noite).
Mais ou menos 1h da madrugada as luzes se apagam e a festa acaba. E agora José, a luz apagou e a festa acabou? , mas não é o fim. Andando pelas ruas dá para ver uma quantidade de jovens vivendo para a noite, para os quais o festival é apenas mais uma das atrações. Eu, amante de festas inacabadas, me junto a um desses grupos para discutir, não problemas, mas soluções, beber, cantar e contar piadas. Sorrir, sorrir, sorrir... . Um grupo aqui, outro ali, e a música nos violões é quase a mesma. Vinho, cachecol no pescoço, abraços e beijos dos “casais” nos bancos mais escuros, e a festa não têm fim. Se me lembro bem, já se passavam das 4h da manhã e ninguém mostrou indisposição, como se toda a vida fosse aquele momento único e que uma pequena palavra seja dita e ouvida com atenção.

De repente o grupo decide que é hora de se recolher, pois o dia amanhã será cheio. Na manhã do dia 26, dia posterior ao fim do festival, os amigos acordam cedo e preparam sua bagagem para voltar para casa. Alguns não percebem que a vida volta ao normal, o mundo aqui é o mesmo, as pessoas trabalham e gastam seu tempo sem dar muita importância a momentos de blá, blá, blá... . A cidade acorda sem seus visitantes estranhos, e um amigo diz: É esses dias foram bons, mas a vida continua - e respirando profundamente acrescenta- a atmosfera é outra.

3 comentários:

Luana Lia disse...

Aaah, que lindo ^^
Pareceu os diários da revista Piauí, muito bom.

Jucélio Jr. disse...

Também gostei demais, cara. Parabéns.

#tete# disse...

uma bela visão do "festival", afinal, que são as atrações nacionais e internacionais se não o anseio de esperar pela reunião do final com os amigos... eu que o diga.
muito bom o texto...