terça-feira, 20 de maio de 2008

As bandas piauienses têm o espaço merecido?

validuaté....fotodejairoTodo piauiense já deve ter ouvido aquela velha reclamação dos músicos locais: “O Piauí não dá espaço nem valoriza as bandas daqui”, ou “Onde já se viu viver de musica aqui no Piauí? Isto é uma utopia.”

São muitas as reclamações, muitos são também os pedidos por mais espaço para a música do nosso estado mostrar seu trabalho, mostrar que vale a pena ter investimento. São inúmeras as bandas dos mais variados estilos, algumas com propostas mais ousadas, outras que apostam no som da moda. Não importa o estilo, o que os músicos querem é espaço para mostrar seu trabalho.

Mas, será que elas já não têm esse espaço tão desejado, ou elas realmente não recebem nenhum auxilio das autoridades competentes à nossa cultura? Foi pensando nisso, que entrevistamos músicos, produtores, secretários de comunicação e, é claro, o público. Cada um deu seu ponto de vista sobre o assunto e opinou sobre o que poderia melhorar.

Nosso trabalho foi organizar essas idéias para discutir um tema que nunca sai de moda no nosso estado.

 

Os músicos clamam por espaço!

Eles ensaiam várias horas por dia, correm atrás de lugares para fazer shows, mas ainda assim poucos são os que comparecem para prestigiar seu trabalho. Por esse e por uma série de outros motivos, muitas bandas se desfazem precocemente.

São inúmeras as reclamações por falta de espaço para shows, por falta de investimento nas bandas daqui, por falta de divulgação das bandas e dos lugares que elas vão tocar. É uma grande lista de pedidos às autoridades. E eles alegam não serem atendidos como gostariam.

Fizemos a seguinte pergunta aos músicos: “As bandas piauienses têm o espaço que merecem?”. A maioria esmagadora falou que há pouco espaço, principalmente se a banda só toca músicas próprias. Segundo eles, as bandas que tocam cover de outras do sul do país ou de bandas internacionais, sempre têm um espaço maior e são aceitas mais facilmente pelo público.

Mas um depoimento chamou a nossa atenção, foi o de Lidson (Guitarrista da banda Alcorrets), quando fizemos a mesma pergunta a ele, surpreendentemente ele nos respondeu: “Às vezes penso que sim e outras vezes que não. Para os nossos padrões piauienses sempre falam que fulano é bom ou que tal banda é ótima, que essa banda vai fazer sucesso, mas não a nível nacional. Acho que isso ocorre porque não fazem nada de diferente para atingirem eixo sul (que é o alvo para qualquer artista). Bandas como Acesso, Roque Moreira e Karranka que são excelentes para nós piauienses, mas no sul já existem trabalhos semelhantes. Penso que uma banda só faz sucesso quando tem algo de inovador para ser mostrado, por isso digo que nossa música tem o seu espaço merecido. Mas que se estas bandas tivessem recursos financeiros quem sabe não crescessem!”

Depois dessa resposta passamos a perguntar aos músicos o que eles faziam para chamar atenção, qual o diferencial da banda para que ela merecesse o espaço que estava reivindicando. Alguns se surpreenderam com a pergunta, poucos responderam e ainda assim estes não deram respostas concretas.

Talvez nossos músicos não tenham pensado que inovar pode fazer a diferença. Por isso talvez nunca se deram ao trabalho de pensar em algo diferente para unir com seu som.

Foi então que percebemos que precisávamos ouvir o outro lado da história para ter alguma conclusão certa sobre o assunto.

 

O outro lado da história...

Fomos atrás dos secretários de comunicação e de alguns produtores para ouvir o outro lado da história. Decidimos botar os produtores com os secretários, porque eles têm uma opinião muito parecida.

Eles responderam que se fosse a uns sete anos atrás, as bandas até teriam razão em reivindicar isso. Mas hoje já não é bem assim como os músicos reclamam. O Piauí evoluiu muito e junto com ele seu espaço musical. Uma Prova disso são os Espaços Culturais que possuímos hoje e os festivais onde sempre tem banda piauiense tocando. Um exemplo é o Piauí Pop, talvez o maior festival de música que o Piauí tem e, segundo o próprio Marcus Peixoto (idealizador do projeto) em uma palestra que deu sobre o festival de música neste ano: “O festival foi criado com o intuito de mostrar as bandas do Piauí aos piauienses. Trazer as bandas de renome nacional, foi a melhor forma que encontramos para reunir um público como o do Piauí Pop. Tanto que fizemos questão de fazer um palco ao lado do principal, só para as bandas regionais tocarem intercaladas com as nacionais”.Com a mesma idéia ele realizou os “Orkutfest’s” que são mini-festivais ao longo do ano, onde várias bandas daqui mostram o seu trabalho e uma banda nacional vem fazer show. Esta foi uma saída para uma reivindicação constante dos músicos piauienses.

Além desses exemplos ainda temos muitos outros lugares para mostrar, como: o Espaço Cultural Raízes, onde apenas bandas piauienses tocam; o Espaço Cultural Trilhos, que tem vários eventos culturais; o Bar Churu, que também preza pela música do nosso estado; o Espaço Cultural Noé Mendes, que tem vários eventos culturais de vários estilos musicais ao longo do ano; ainda tem eventos como o Rock na Praça e o Rock na Casa, que tem o único intuito de mostrar as bandas daqui; o Salão do Humor, que também tem shows de bandas regionais entre outros.

Os secretários e produtores, concordaram que para um músico viver do seu trabalho aqui no Piauí ainda é complicado. Mas eles acham que é questão de tempo, é algo que, está em fase de amadurecimento, e é necessário um pouco de paciência para essa solidificação ocorrer de fato.

Com argumentos convincentes e reais, as autoridades nos mostraram um outro lado que algumas pessoas não querem reconhecer, mas que existe, que tem muita importância. Sim. Muito ainda há para ser feito, e ninguém discorda disso. As autoridades respondem que é por isso que eles estão trabalhando, para que no futuro tenhamos muito mais espaços culturais, onde nossas bandas regionais tenham lugar, como elas já vêm tendo nos já existentes.

O que não pode, é que estas autoridades pensem que já fizeram o bastante e parem de trabalhar em prol da nossa cultura. Vamos esperar para conferir o estas promessas daqui a alguns anos. E os fãs têm o dever de cobrar, junto com os músicos é claro.

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A opinião do respeitável público.

Mas, e o público? Qual será a opinião que eles têm sobre o assunto? Será que vale a pena ir atrás de nossas bandas? Será que elas dão atenção ao seu público fiel? As bandas piauienses realmente têm um público assim?

Para responder algumas dessas perguntas conversamos com estas pessoas, que geralmente não têm conhecimento aprofundado de música e não ligam para isso, mas que querem sair à noite e exigem uma música boa para que a diversão esteja garantida, não importa o gênero musical que as bandas tenham, ou se possuem músicas próprias ou cantam cover. Publico é público e eles só querem se divertir.

As opiniões são diferentes, uma boa parte acha que ainda falta muito espaço para nossas bandas se consolidarem, outra parte pensa que o espaço que estas bandas conquistaram já é um avanço, para os padrões piauienses. E mais uma vez nos deparamos com este tal de “padrão piauiense”, que pelo visto não é lá muita coisa já que a maioria das pessoas tem uma intenção negativa (no sentido de que “no Piauí, onde qualquer coisa é boa, isto que se faz de qualquer jeito é ótimo”) quando fala desse tal padrão.

Alguns fãs têm reclamações a fazer, porque os músicos deixaram de atender a seus pedidos. É o exemplo de Luana Lia, estudante de jornalismo. Que se diz fã da banda Validuaté e conta revoltada, um episódio: “No Orkut, tem uma comunidade para eles (a banda) que é só mulher, e nós estávamos combinando de convidá-los a fazer um show só para nós (as moças que estão na comunidade e fazem parte de um fã-clube deles). Mas eles se negaram a fazer! Onde já se viu? Disseram que era inviável. Estou revoltada!”. Apesar do desentendimento, Luana garante que continua sendo fã e acompanhando a banda onde ela for: “Apesar do que eles fizeram com a gente do fã-clube, continuamos gostando do som deles e acompanhando-os onde quer que eles toquem”, conta.

Algumas pessoas disseram que aqui as bandas vivem de moda. “Quando uma banda cai na aceitação do público pronto! Até que enjoem só dá ela, em qualquer lugar que a gente for, não tem jeito. A banda vai estar tocando com aquele mesmo repertório que todo mundo já sabe, naquela mesma ordem que o povo já decorou” afirma Julia Medeiros, estudante de fisioterapia. Ela ainda continua suas críticas dizendo “O problema não é fazer sucesso, claro que isso é mais do que justo quando uma banda é boa mesmo. Mas parece que os músicos se acomodam e não se dão ao trabalho de nem mudar a ordem que vão tocar as músicas. E muitas vezes fazem mais de um show numa noite, eles deveriam dar uma mudada. Por isso que o povo enjoa! Ninguém agüenta passar muito tempo ouvindo a mesma coisa. Isso cansa!”

Mas nós não ouvimos apenas críticas, também ouvimos muitos elogios deste mesmo público que criticou. Eles falam que as bandas do nosso estado são muito boas sim! Tinham tudo pra fazer muito mais sucesso do que muitas que estão na mídia. Muitos afirmaram que hoje em dia dão muito mais valor em ir a um show de um grupo local do que ao de um grupo nacional. O que é sem dúvida, um avanço imensurável, já que o nosso estado tem um preconceito enorme consigo.

 

Concluindo...

Não podemos negar que nossas bandas tocam músicas muito legais, tem uma qualidade muito boa, mas hoje, elas não podem reclamar muito de espaço. Como mostramos, a nossa capital já ganhou muitos espaços culturais, e temos que reconhecer isto! Claro que não é por isso que os músicos devem deixar de reclamar o seu espaço. Quanto mais se pede mais chances tem-se de ganhar, mas ao mesmo tempo, quem pede também é mais cobrado. Então, para merecerem, é preciso de mais ensaios e mais criatividade da parte das bandas também. Não que eles não toquem bem. De forma alguma, a qualidade das bandas só tem crescido. Mas quanto mais se ensaia, melhor fica o trabalho, e mais moral se tem para reclamar as coisas.

Outro avanço foi o fato de os piauienses estarem dando muito mais valor para a sua música. Eles passaram a ir atrás das bandas, acompanhando-as onde forem. E isto é uma forma muito especial de reconhecer o trabalho dos grupos e de chamar a atenção das autoridades. Pois se tem mais gente seguindo as bandas regionais, significa que a qualidade melhorou e elas merecem mais atenção. Por mais que já tenham, mas é preciso preservar as coisas boas que temos.

Isto é um circulo vicioso, para pedir é necessário dar algo em troca. E tanto os músicos quanto as autoridades estão seguindo bem a regra. Se as coisas continuarem como estão, quem mais vai ganhar é o público, que vai ter cada vez mais bandas boas e cada vez mais lugares diferentes para poder se divertir.

 

Por Idria Portela( entrevistas) e Laís Moita (Texto)

Fotos: Jairo Filipe

5 comentários:

leticia disse...

a materia realmente esta muito boa. bastante interessante mostrar os varios lados da historia. pq como foi dito no começo. sempre o que se tem em mente "é que nao se tem o devido espaço merecido" , so que quem teve a oportunidade de ler o escrito. pode perceber que não eh apenas a falta de espaço. e sim a vontade de crescer sempre mais em relação a qualidade,divulgação,criatividade (ensaios). lalazona. ta de parabens viu. vc tb idria. materia mt boa mesmo ! e parabens a todas as bandas piauienses

Publicista! disse...

adorei o panorama que vcs traçaram da música piauiense atual.
Muito bom!!!
Fotos lindas!

Larissa disse...

Muito legal a materia,e a iniciativa de falar sobre a cultura da m�sica piauiensse...
muito massa...
Parabens!!!

=)

Karla Danielle disse...

ñ me canso de falar, que esse pessoal é bom, muito bom ,bom mesmo,e põe bom nisso... tá bom, ops! chega de bom... mas é bom mesmo.

Luana Lia disse...

Curioso, eu já conhecia essa matéria, hein...
Hahuiehuahueia.
Muito bom, gurias!
Fotos divinamente lindas.